O Esvaziamento dos Bancos e a Fome de Deus: O que os dados nos dizem sobre o futuro da nossa fé
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Mas será que estamos realmente perdendo o mundo para a falta de fé? Se olharmos de perto para as maiores pesquisas sociológicas recentes do mundo, a resposta pode nos surpreender – e nos encher de uma profunda esperança cristã.
A ilusão dos “Sem Religião”
É verdade que o Cristianismo tem perdido fiéis no Ocidente. De fato, para cada adulto que decide abraçar a fé cristã após crescer sem religião, cerca de três pessoas abandonam o Cristianismo. O grupo que mais cresce nas Américas e na Europa é o dos “desigrejados”.
Contudo, corremos um grande risco quando simplificamos essa realidade chamando todos os “sem religião” de ateus. A verdade é bem diferente: ser não-filiado a uma instituição não significa que o coração humano se esvaziou do divino. Pesquisas demonstram que uma grande parcela dos chamados “sem religião” continua acreditando em Deus, em uma força superior ou de que os seres humanos possuem uma alma.
O que os dados nos dizem é duro, mas necessário de ouvir: as pessoas não estão abandonando a Deus, elas estão abandonando a religiosidade passiva. À medida que os países se desenvolvem economicamente e a educação aumenta, a religião deixa de ser uma mera “obrigação cultural” ou uma herança automática. O “catolicismo de IBGE”, aquele em que a pessoa se diz católica apenas porque foi batizada, mas não vive a fé, está desaparecendo.
O tesouro da prática ativa
Aqui está o grande chamado para nós, católicos. As mesmas pesquisas que mostram o crescimento dos sem-religião revelam um dado fascinante sobre o poder de uma fé vivida na prática.
Indivíduos que são ativamente religiosos – ou seja, que frequentam a igreja pelo menos uma vez por mês – relatam ser significativamente mais felizes do que as pessoas inativas ou sem afiliação religiosa. Além disso, católicos e cristãos ativos são muito mais propensos a votar, ajudar em causas de caridade e se engajar na vida cívica.
Sabe por que isso acontece? A ciência chama isso de “capital social”, mas nós podemos chamar pelo nome que Jesus nos ensinou: comunidade. Os benefícios da fé na nossa saúde mental e na nossa alegria não vêm apenas de ler um dogma em casa sozinho, mas das redes de amizade, do apoio na dor e da comunhão que encontramos na vida paroquial. Nós nascemos para caminhar juntos.
A Igreja não está morrendo, está mudando
Outro motivo para não nos desesperarmos é que a nossa Igreja é Católica, ou seja, Universal. Enquanto vemos um declínio numérico na Europa e na América do Norte, a África Subsaariana acaba de ultrapassar a Europa como o continente que abriga o maior número de cristãos no mundo. O coração da Igreja bate forte no Sul global. A vitalidade das famílias africanas e latino-americanas mantém o Cristianismo como a maior religião do planeta.
Uma reflexão para o nosso tempo
O que tudo isso significa para nós, católicos de hoje? Significa que o tempo de sermos cristãos apenas por tradição cultural acabou. E graças a Deus por isso!
O problema central nunca foi o ateísmo. O maior desafio da nossa Igreja é a mornidão. Se as pessoas estão saindo em busca de sentido, é porque, talvez, as nossas comunidades paroquiais precisem ser mais acolhedoras, mais vivas e mais autênticas. Os dados provam que uma comunidade de fé ativa faz bem para a mente, para a alma e para a sociedade.
Aquele nosso sobrinho que diz “não ter religião” não é um inimigo da fé. Ele é alguém com fome do sagrado, esperando ver em nós não apenas um rótulo, mas a alegria real de quem encontrou Jesus vivo no meio de uma comunidade de amigos.
Em vez de lamentar os que partiram, que tal olharmos para quem está ao nosso lado na missa de domingo e perguntar: Como podemos tornar a nossa paróquia um lar tão cheio de amor e sentido, que aqueles que buscam a Deus sem saber que nome dar a Ele, queiram se sentar à mesa conosco?
Referências:
- 1. How the Global Religious Landscape Changed From 2010 to 2020 (Pew Research Center)
- Por que é excelente: É o estudo demográfico mais completo do notebook. Ele mapeia o crescimento populacional das religiões (como o rápido avanço do Islã) e fornece dados fundamentais sobre a transição religiosa (switching), mostrando como os “sem religião” continuam crescendo no Ocidente por meio de conversões, apesar de sua desvantagem demográfica.
- Link de Acesso: Pew Research Center – How the Global Religious Landscape Changed From 2010 to 2020
- 2. Religion’s Relationship to Happiness, Civic Engagement and Health Around the World (Pew Research Center)
- Por que é excelente: Esta é a fonte que sustenta empiricamente a distinção entre “afiliação passiva” e “prática ativa”. O relatório demonstra que as pessoas que frequentam ativamente os cultos paroquiais (pelo menos uma vez por mês) são mais felizes e significativamente mais engajadas na vida cívica de seus países (votando e fazendo voluntariado).
- Link de Acesso: Pew Research Center – Religion’s Relationship to Happiness
- 3. Many Countries Favor Specific Religions, Officially or Unofficially (Pew Research Center)
- Por que é excelente: Esta fonte analisa a relação geopolítica entre o Estado e a Fé. Ela revela como governos que possuem religiões oficiais ou preferenciais tendem a impor restrições muito mais severas a minorias religiosas (medido pelo Government Restrictions Index) e expõe que países que se declaram laicos ou sem religião oficial também podem ser altamente restritivos.
- Link de Acesso: Pew Research Center – Many Countries Favor Specific Religions
- 4. Demographics of Atheism (Wikipedia)
- Por que é excelente: Uma excelente compilação estatística e conceitual sobre os não-crentes. Ela detalha as grandes dificuldades metodológicas de se medir o ateísmo globalmente e mostra as nuances do grupo “sem religião”, apontando que muitos mantêm práticas e crenças no sagrado (como na China e nos EUA) sem estarem filiados a instituições tradicionais.
- Link de Acesso: Wikipedia – Demographics of Atheism
- 5. List of Countries by Irreligion (Wikipedia)
- Por que é excelente: Apresenta dados censitários e pesquisas nacionais de diversos países comparando a proporção de irreligiosos pelo mundo. Ela ilustra perfeitamente onde estão concentradas as maiores populações sem afiliação religiosa e quais sociedades passaram pela transição para maiorias seculares.
- Link de Acesso: Wikipedia – List of Countries by Irreligion