O Sentido Da Vida

Buscar o verdadeiro sentido da vida é o importante caminho que deve ser percorrido por todo nós; a nossa mais importante jornada.

“Minha vida: para que e para quem?”

Há uma força em nós que nos empurra para fora, para o alto.

Santo Agostinho resume muito bem essa força: “Criaste-nos para vós e inquieto está nosso coração até que repousa em vós.”

Negar ou ignorar esse sentido vertical, transcendente de nosso ser é cair em conflito. Basta abrir os olhos para ver como o homem se perde num vazio, entrando em conflito quando se esquece de olhar para cima, para frente. Recorre a muletas, parte para análises, afunda-se no prazer e pelo prazer e não se encontra consigo mesmo.

“Levantai a cabeça, está próxima a libertação!” 

Como a agulha da bússola só procura o norte, nosso coração só tem um Norte: Deus!

Quando crianças estávamos dormindo diante da vida. O tempo nos acordou – se é que estamos dormindo – e surgiram grandes perguntas: De onde vim? Para quê existo?

Encontrar um sentido para a vida não é outra coisa senão ser capaz de responder a estas sérias perguntas.

O que adiantaria ter tudo na vida se eu não soubesse o porquê da vida? Eu seria alguém em pleno mar sem saber nadar!

Vamos tentar uma resposta

Diante de uma obra de arte minha primeira pergunta é: quem a fez? Sei perfeitamente! Atrás daquele trabalho há uma inteligência a pensar, a decidir. Sem isto, jamais haveria uma criação.

Isso porque, antes de criar, o artista “pensou”. Ele nunca seria capaz de executar uma obra sem primeiro ter pensado. Sua obra é a realização de um pensamento seu.

Ao pensar, criar em sua mente, podemos dizer “o artista “chamou” aquela ideia a existir”. Pronta a obra, temos uma “resposta” ao chamado do artista. É uma maneira nova de falar.

Pronta obra, será que o artista gostou da resposta ao seu chamado? Depende, é claro! Se a resposta corresponde perfeitamente ao seu chamado, ele gostou. Se a resposta não corresponde, não gostou.

Estudar parte do artista. Já do nosso lado, para compreendermos o sentido de uma obra, devemos descobrir o que pensou o artista ao executar a sua obra. Perguntando ao artista, ou entrando em comunhão com seu pensamento. Isto porque entre uma obra e o seu autor há uma relação de dependência. A obra depende do seu Criador.

Isto se passa conosco. E com Deus?

Ser sumamente inteligente, Deus jamais poderia nos criar sem pensar em nós. Somos um pensamento de Deus. Como Deus é eterno, somos um pensamento eterno de Deus!

Para entender um quadro de pintura, o seu “sentido”, tenho que saber o que pensou o artista; para entender o homem, que é criatura, só há um caminho: “O que pensou Deus ao me criar?”

Temos que olhar para baixo, para o lado, pois fazemos parte da criação, somos o universo em miniatura. Temos que estar em comunhão com a natureza e com o “outro”. Mas se não tivermos a coragem de olhar para cima, jamais entraremos num “processo de libertação”.

“Se não existisse um Deus além do cosmos, a história do homem será um balé dançado diante de cegos ou como uma ópera cantada diante de surdos” – John Wu – Para Além do Oriente e do Ocidente.

“A grande angústia do ateu é quando ele sente que deve agradecer mas não sabe a quem”! – Chesterton.

Será, então, que podemos dizer: “Eu sou uma Resposta ao chamado de Deus”? É claro que não. Entre nós e um quadro de pintura existe uma grande diferença. O quadro é morto, sem inteligência, sem liberdade. O homem já é inteligente e livre. O quadro aceita passivamente a impressão do artista. Por isto não tem valor em si mesmo. O mérito é somente do artista.

Já, ao criar o homem, ser livre e inteligente, Deus o chamou a existir e espera que o homem construa uma resposta ao seu chamado. O homem plenamente realizado será fruto de um trabalho pessoal, o próprio homem, e da graça de Deus.

Daí ser incompleta a expressão “Aceitei Jesus, estou salvo.”! É importante aceitar Jesus, é o primeiro passo. Mas depois devo realizar esta minha aceitação através do meu esforço de cada dia. Por isso, nunca podemos ter a certeza da salvação. Paulo, talvez o maior apóstolo de Cristo, depois de se oferecer totalmente ao Senhor, vem nos dizer: “Ainda que a minha consciência de nada me acuse, nem por isso eu me considero justificado. Quem me julga é o Senhor”! – I Cor 4,4.

Texto escrito pelo Padre Antônio das Mercês Gomes, criador do curso Jornada Cristã – falecido em maio de 2008.

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